terça-feira, 1 de novembro de 2011

Escolho a alegria, quase sempre.

            Alguns amigos que, pela distância, não participam dos nossos momentos com as crianças, não acompanharam o desgaste vivido até o momento do diagnóstico de Dudu, toda a revolução emocional que vivemos desde então e nem quando e como começamos a organizar e equilibrar os sentimentos, acompanham uma parte da história pelo blog. Daí, venho recebendo vários e-mails que tratam de esperança, amor, emoção e igualdade. Nem tenho palavras para retribuir. Também, sempre fico emocionada com os belos comentários no blog. Palavras bonitas e positivas que trazem força, compartilham sentimentos e são muito importantes para colorir a vida, principalmente quando vivemos a montanha russa emocional de ter um filho com autismo.

           Quando decidimos falar abertamente sobre o autismo de Eduardo, fizemos por acreditar que é o melhor, que não temos motivos para esconder que o desenvolvimento dele é diferente do comum. Enfrentar o diagnóstico permite que não reste dúvida que sinto muito orgulho do meu filho e quero que todos saibam o quanto ele é maravilhoso, com ou sem autismo. Ele não é o autismo, é Eduardo, carinhoso, inteligente, ávido por aprender. Sustento que o autismo ou seja o que for não muda o básico, que Eduardo deve ser visto como uma criança, um ser humano, o que vai muito além do autismo. Acho que assim, naturalmente, sem máscaras, ele tem mais possibilidade de sentir que é verdadeiramente amado, independente de autismo, do que surja, do que finde, do que permaneça. Encarar o autismo como fazemos com todo o resto, de pé, coração limpo, traz esperança de dias leves.

          Agora, quase 11 meses depois do primeiro diagnóstico (autismo infantil), percebo as mudanças em toda família e, principalmente, nas atitudes da minha filha. Luísa, por toda beleza característica da infância, foi quem mais surpreendeu em suas reações. Desde pequena, quando nem falava nada além de mamãe, papai, vovó e duduuuuuu, eu já conversava com ela que todos somos únicos e assim dudu é, que ele precisa muito do nosso amor porque não conseguia fazer, ainda, tudo que podia, mas que podíamos ajudar e que isso nos faria bem. Acredito que ela deu um jeito e entendeu tudo. Lembro que, em algum momento, talvez perto dos dois anos, a tristeza em seu semblante era visível quando tentava brincar com o irmão e ele não respondia, ou melhor, evitava o contato com ela, fugia quando ela iniciava uma brincadeira, chorava com sua aproximação. Ficava claro que ela, que estava começando a interagir com outras crianças, sofria por não conseguir fazer isso com o irmão. Vi várias vezes minha filha parada, sem saber o que fazer diante da rejeição do irmão, olhos arregalados. Conversamos muito com ela, explicando que Eduardo queria sim seu amor e seu carinho, ele apenas não conseguia, ainda, nos mostrar isso. Depois, ela, por si, percebeu o que precisava fazer para conseguir a atenção dele e sempre lança mão disso quando quer interagir. Ela corre e ele dá gargalhadas, então, ela olha para ele bem nos olhos, respira fundo e diz: agora, Eduardo, preparaaaaaaar, jáááá. Os dois saem correndo pela sala, sorrindo. Ela acaba conseguindo primeiro e com naturalidade o que todos nós, em casa, precisamos cuidar para realizar. Luísa brinca de roda com Eduardo, canta...Eduardo fica parado e observa o que ela, interessado, nem que seja por um curto período. Com ela, Eduardo sorri, feliz. Muitas vezes eu digo que ele brinca logo do que ela quer para se livrar de sua insistência e rimos, sabendo, no fundo, o quanto essa relação é importante para os dois. Observamos que, ali, Eduardo é apenas irmão de Luísa, um irmão que não fala como ela, não se comunica direito, não demonstra com facilidade o que quer, mas que pode brincar, sim, e ela não aceita outra atitude. Simples, como deve ser.
          Vejo que Luísa percebe que tem algo diferente em Eduardo. Mas, apenas isso, diferente. Ela conversa com o irmão, briga, quer mandar, abraça, beija, ensina que não pode bater, que deve fazer carinho. Nada mais que dois irmãos. Quando eu chego em casa e pergunto por ele, Luísa corre e volta puxando Eduardo pela mão. Quando está em algum brinquedo no parquinho ou quando fazemos farra (jogar pra cima, fazer cócegas), logo ela diz: agora é a vez do Eduardo. Sinto muito orgulho da minha Luísa. Eu só posso imaginar o quanto o irmão influenciará em sua vida, pela linda experiência com minha irmã, e, pelo que vejo, venho a concluir que fará muito bem para a formação de sua personalidade, para a construção da mulher que será.
           
            Por fim, quero agradecer, de coração, aos meus amigos e suas palavras que aquecem a alma. Quero que saibam que somos muito felizes. Alguma tristeza é inevitável para a maioria da pessoas e, claro, não é diferente para mim, mas a alegria é, indubitavelmente, o sentimento que triunfa e o que venho compartilhar com vocês.

2 comentários:

Anônimo disse...

Alê!! Sempre que posso, passo aqui! Como sempre, suas postagens são extremamente emocionantes para mim e tenho certeza que para todos que acompanham. Um beijão para todos ai! Parabéns de novo pelo blog! Nicole.

Alê disse...

Ni,
você é uma menina muito especial. Obrigada por trazer seu carinho para cá. Beijos

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