quarta-feira, 27 de abril de 2011

Como ouvir que seu filho pode ter autismo?

Com 1 ano e 6 meses Eduardo ainda não andava sem apoio. Segurando nos móveis e paredes, ia para onde quisesse. Foi assim que chegamos ao consultório de uma clínica multidisciplinar, indicada pela neurologista, em novembro de 2010. Depois de uma equipe formada por psicólogo, fonoaudiólogo e fisioterapeuta conversar com a gente e examinar o Eduardo, nos foi dito que a possibilidade de autismo existia, sim, não podia ser ignorada. Lembro que saí da clínica sem enxergar nada direito. Chorei, chorei, chorei o dia inteiro. Pelos dias seguintes eu continuava chorando, sem conseguir acreditar naquela possibilidade. Eu não queria. Eu nada podia fazer. Ela sugeriu umas sessões para avaliação para depois nos dar um parecer. Em 17/12/2011 estávamos eu e mamãe no consultório, as duas muito angustiadas. E foi assim, com muito jeito, que a equipe nos comunicou que o diagnóstico deles para Eduardo era de autismo infantil. Não consigo explicar o que passei a sentir. Agora não era mais apenas uma possibilidade. Elas ressaltaram que ele era muito novinho para que o diagnóstico fosse fechado. Isso era suficiente para ter esperanças? Esperanças de que? Ser ou não autismo? Ser outra coisa, não ser nada? Eu amo meu filho, e isso independe de autismo ou qualquer outro nome que justificasse ele não se desenvolver no tempo esperado, comum para a maioria das crianças. Eu queria um caminho, eu queria saber o que precisava fazer para propiciar ao meu filho que ele pudesse desenvolver o máximo possível. Mas, isso eu também quero para a minha filha. É o que queremos e devemos fazer pelos filhos, não? Onde estava a grande diferença? As palavras das especialistas ficavam gritando dentro de mim, mesmo quando eu evitava pensar, quando eu fazia outras coisas, quando eu fingia esquecer. Continuei chorando, chorando. Alguém precisava me dizer que aquilo não era real. No dia seguinte, um trapo, viajei com eles para Fortaleza. Só aí, perto da minha família, percebendo que era precipitado sofrer tanto, que não adiantaria, fui reconstruindo a mãe que meus filhos mereciam. Esses lindos filhos não mereciam conviver com uma mãe chorosa, triste, fraca. Eles queriam beijos, afagos, brincadeiras, carinho e amor. E foi assim, toda quebrada por dentro, pela necessidade de aparentar ser uma mãe feliz, que eu percebi que continuava assim mesmo. Sou uma mãe muito feliz. Amo meus filhos mais do que tudo. Os dois estão aqui comigo, inteiros, vivos, sapecas, iluminados e lindos. Vi que a grande diferença está que Eduardo me ensinou que precisamos cuidar mais do que achamos que fazemos. Que precisamos ver tudo com sensibilidade. Que todo dia é um milagre. Que cada conquista é a vitória da sua vida. Ah! o sabor das possibilidades, de visualizar os pequenos gestos. O tempo de chorar passou. Agora é tempo de lutar. Em pouco tempo, meu filho já me ensinou tanto. Sou como todas as outras mães, simplesmente porque todas as mães são especiais.

3 comentários:

Hilda disse...

Bravo, Alê!!! Fiquei muito emocionada com suas palavras. Relato de amor e entrega total. Como você disse "O tempo de chorar passou. Agora é tempo de lutar." Sendo assim, mãos a obra! Vocês estão em nossas orações e tenho certeza que Deus vai te iluminar e conceder a vitória. Eu tenho fé!!
Mil beijos!!!

Ana Paula disse...

Oi Alessandra!
Meu nome é Ana, sou mãe de um casal de gêmeos também: Vítor e Lívia, estão com 2 anos e 6 meses.
O meu menino tem suspeita de autismo.Estou na luta para fazer o Bera, mas todo vez que marcamos meus pequenos ficam doentes, e com isso vamos adiando. O Vítor faz fono e vai começar terapia ocupacional.

Não é fácil passar por isso, com fé em Deus conseguiremos dar o melhor para nossos filhos.

meu e-mail é paulasgarcia@hotmail.com


bjssss

Andrea disse...

Ale estou muito emocionada com suas colocações, vc sabe que sou fono porém não especialista, em casos de autismo, mas a fiz estágios na área, mas sei que tudo que vc esta fazendo é o correto, vc demonstra com suas palavras que Deus não lhe deu um filho especial e sim deu ao Dudu uma mãe mais do que especial, que é capaz de tudo para faze-lo feliz e com certeza vai conseguir, pois Deus nos dá a cruz que nossos ombros são capazes de carregar. conte comigo sempre, pois va é muito especial, e mais uma vez parabéns por vc ser essa mãe marvilhosa, bjão.

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